História

Breve Testemunho sobre a Implantação Inicial do CDS no Porto

Alguns dias após o anúncio público do novo PARTIDO DO CENTRO DEMOCRÁTICO SOCIAL (CDS), em 19 de Julho de 1974, houve uma reunião de fundadores em Lisboa, na Sede (no então Largo do Caldas – hoje, Adelino Amaro da Costa), na qual, entre outros assuntos, foi escolhida uma Comissão Directiva Provisória (salvo erro, com sete elementos), para liderar o Partido até ao 1.º Congresso.

A primeira missão era, naturalmente, a de divulgar e implantar o Partido em todo o País. Ora, nessa Comissão, eu era o único elemento residente no Porto; portanto, entendi ser minha responsabilidade liderar essa actividade no Norte.

Entretanto, a Família Pestana cedeu-nos o palacete no gaveto da Rua Gonçalo Cristóvão com a Rua do Almada, junto à Praça da República, para Sede Regional. Foi a partir daí, com o grupo de militantes que desde a primeira hora aderiram ao Partido na área do Porto, que se lançou a implantação do CDS no Norte, através de contactos (com pessoas que aderiram pela difusão boca-a-boca ou através da comunicação social), sessões de esclarecimento e, também, alguns comícios (normalmente apoiados por outros dirigentes nacionais, vindos de Lisboa).

Dessa forma, começaram a ser constituídos núcleos do CDS nos distritos – faram abrangidos todos os do Norte: Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real e Bragança – nos concelhos e, até, em freguesias.

O grupo de militantes que se reunia regularmente na Sede Regional, para coordenar esta actividade, assumiu-se como Comissão Regional do Norte. Aliás, o primeiro projecto de Estatutos do Partido, discutido numa célebre reunião nacional realizada junto à Pateira de Fermentelos, considerava estruturas de actuação política partidária aos níveis central, regional, distrital e concelhio (não me recordo se também já incluía as freguesias).

De todo o modo, com a aproximação das eleições para a Assembleia Constituinte, a realizar em Abril de 1975, cujos círculos eleitorais coincidiam com os distritos, tornou-se evidente a importância de fortes estruturas distritais; da mesma forma que as eleições autárquicas, a realizar mais tarde, em finais de 1976, impunham uma organização local adequada.

Esse trabalho foi sendo feito, conferindo cada vez mais autonomia às estruturas distritais e locais. De modo que – talvez durante o ano de 1976 – num Concelho Nacional apercebi-me que a nossa Comissão Regional era a única que, de facto, tinha sido constituída e funcionava…

Obviamente, não tinha sentido que no Norte a organização do Partido fosse diferente do resto do País. E a Comissão Regional do Norte foi extinta.

Entretanto, no Porto já funcionavam as Comissões Políticas Distrital e Concelhia, além de vários Núcleos de Freguesia. Se não me falha a memória, o primeiro Presidente da Distrital do Porto foi o Eng.º Luís de Azevedo Coutinho; e o primeiro Presidente da Concelhia foi o Doutor Alexandre Sousa Pinto.

É claro que muito mais haveria a contar sobre o início do CDS no Porto. Designadamente, sobre a epopeia do 1.º Congresso, os assaltos às Sedes, as rusgas do COPCON, etc.. Aliás, seria interessante compilar os testemunhos dos militantes da primeira hora que ainda estão vivos; quanto mais tarde se fizer esse trabalho, mais difícil será…

2012.04.24

João Lopes Porto

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